A periodontite é uma doença multifatorial, mas o seu desenvolvimento e progressão dependem em grande parte da presença de determinados agentes patogénicos altamente virulentos. Apesar de existirem mais de 700 espécies bacterianas na cavidade oral, apenas três microrganismos preenchem os critérios de “agentes patogénicos fortemente associados à periodontite”, de acordo com a evidência científica.
Estes agentes patogénicos destacam-se não só pela sua capacidade de colonizar o ambiente subgengival, mas também pela potência dos seus factores de virulência: adesão, evasão do sistema imunitário, invasão tecidular, indução de inflamação e reabsorção óssea. A identificação precoce é fundamental para o prognóstico periodontal de cada paciente.
O que significa "agente patogénico fortemente associado"?
A revisão explica que, de acordo com os postulados de Socransky, um microrganismo só pode ser considerado fortemente associado à periodontite se:
Está presente em concentrações elevadas nos locais de atividade da doença.
A sua redução após a terapia periodontal está relacionada com a melhoria clínica.
Tem factores de virulência comprovados.
É capaz de desencadear uma resposta imunitária significativa.
Reproduz a doença em modelos animais.
Esta estrutura concetual permite a diferenciação entre verdadeiros agentes patogénicos e simples bactérias comensais ou bactérias secundárias ao processo inflamatório.

Aggregatibacter é um coccobacilo gram-negativo, capnofílico, da família Pasteurellaceae.
Aggregatibacter actinomycetemcomitans: o principal agente patogénico na periodontite rapidamente progressiva
Esta bactéria gram-negativa é especialmente frequente na periodontite agressiva (grau C). O artigo destaca a leucotoxina RTX, uma das mais potentes toxinas descritas em periodontia, capaz de destruir neutrófilos e macrófagos por apoptose ou necrose, dependendo da sua concentração.
Outros factores de virulência relevantes:
Toxina distensora citoletal (CDT), que induz danos no ADN.
Lipopolissacarídeos (LPS) que estimulam a IL-1, TNF-α e promovem a reabsorção óssea.
Invasão epitelial, penetrando no tecido conjuntivo através do epitélio juncional.
Colagenases e factores inibidores de fibroblastos, dificultando a reparação periodontal.
Em conjunto, fazem do Aa um microrganismo decisivo em casos de destruição rápida.

Porphyromonas gingivalis é um coccobacilo gram-negativo, não-móvel, anaeróbio, asacarolítico, pertencente ao filo Bacteroidota.
Porphyromonas gingivalis: o principal agente patogénico da periodontite crónica
Considerado o marcador microbiológico por excelência das bolsas profundas, o P. gingivalis destaca-se pela sua capacidade de migrar, invadir e sobreviver no interior das células epiteliais em apenas 20 minutos. A sua principal arma são as gingipainas, cisteína proteases que degradam o colagénio, a laminina, a fibronectina e estimulam as MMP-1, MMP-8 e MMP-9.
De acordo com a revisão, estas enzimas desempenham um papel crucial tanto na nutrição das bactérias como na destruição do tecido periodontal.
Além disso:
Possui uma cápsula anti-pagocítica.
Produz LPS que induzem IL-1β, IL-6, IL-8, PGE2 e TNF-α.
Coagula com numerosas espécies, favorecendo a formação de biofilmes complexos.
A P. gingivalis não destrói apenas os tecidos: altera a resposta imunitária e promove a disbiose, tornando-se um ator central no processo inflamatório crónico.

Tannerella forsythia: bactéria gram-negativa, anaeróbica da família Porphyromonadaceae.
Tannerella forsythia: a bactéria do complexo vermelho com a maior evasividade
É descrita pela sua caraterística camada S, um envelope proteico que actua como um escudo contra o sistema imunitário. O artigo refere que esta camada pode mesmo reduzir a produção de IL-1β, TNF-α e IL-8 por fibroblastos e macrófagos em fases iniciais, facilitando a colonização precoce.
Outros factores fundamentais:
Proteína BspA, que ativa o TLR-2 e induz a perda óssea.
Lipoproteína BflP, induzindo a apoptose e a reabsorção.
Protease PrtH, envolvida na degradação epitelial.
Sialidases e enolases, que modulam a resposta imunitária e promovem a invasão.
O Tf coexiste frequentemente com o Pg e o Treponema denticola, formando associações altamente patogénicas.
Porque é que é importante identificar os agentes patogénicos na prática dentária?
O conhecimento dos agentes patogénicos presentes permite ao dentista:
Identifica os doentes com maior risco de progressão.
Tratamentos periodontais personalizados.
Define se existe uma indicação para terapia combinada ou terapia antimicrobiana.
Estabelece um protocolo de manutenção mais rigoroso.
Os testes bacterianos do Periolab permitem que estes agentes patogénicos sejam identificados com precisão através de técnicas moleculares. Isto proporciona uma ferramenta valiosa para detetar infecções activas, ajustar o tratamento e antecipar os doentes em risco.
Em conclusão, as bactérias Aa, Pg e Tf são responsáveis por uma parte fundamental do processo destrutivo na periodontite. A sua capacidade de aderência, invasão, evasão do sistema imunitário e ativação da cascata inflamatória fazem delas os principais alvos de diagnóstico e terapêutica.
Confiar em ferramentas como os testes do Periolab ajuda a transformar a prática clínica no sentido de uma medicina dentária baseada na microbiologia de precisão.

