Um novo estudo internacional destaca uma ligação significativa entre uma saúde oral deficiente e uma maior prevalência de enxaquecas, fibromialgia e dores corporais crónicas nas mulheres. Os resultados sugerem que o microbioma oral pode desempenhar um papel na intensidade e frequência da dor, abrindo a porta a novas estratégias preventivas e terapêuticas na medicina dentária.
Qual é a relação entre a saúde oral e as enxaquecas?
As enxaquecas são um dos distúrbios neurológicos mais comuns nas mulheres, afectando milhões de pessoas em todo o mundo. Até agora, a medicina dentária e a neurologia pareciam ser campos separados, mas estudos recentes mostram que uma saúde oral deficiente pode estar intimamente ligada ao aparecimento e agravamento das enxaquecas.
O estudo, realizado pela Universidade de Sydney (Austrália) e publicado na revista científica Frontiers in Pain Research, incluiu 158 mulheres da Nova Zelândia, algumas com e outras sem diagnóstico de fibromialgia. Utilizando questionários validados e análises genómicas do microbiota oral, avaliaram a influência do estado oral na perceção e prevalência de enxaquecas, dores no corpo e dores abdominais.

Principais conclusões do estudo
Os resultados fornecem dados fundamentais que reforçam a ligação entre a saúde oral e a dor crónica nas mulheres:
Os participantes com pior saúde oral auto-relatada eram significativamente mais propensos a sofrer de dor crónica.
Em particular, 60% tinham um risco acrescido de dores corporais moderadas a graves.
As mulheres com má saúde oral tinham quase 50% mais probabilidades de sofrer de enxaquecas.
Foi detectada uma associação entre determinadas bactérias orais(Dialister, Fusobacterium, Parvimonas e Solobacterium) e a presença de dor intensa.
Estes resultados mantiveram-se mesmo quando se ajustou a idade, o índice de massa corporal (IMC) e o consumo de açúcares na dieta.
Para além disso, 67 % dos participantes tinham fibromialgia, o que reforça o valor clínico dos resultados em doentes com fibromialgia.
Implicações clínicas e dentárias
Este é o primeiro estudo a avaliar conjuntamente a saúde oral, o microbioma oral e a dor crónica em mulheres com fibromialgia. Para os dentistas, é um lembrete da importância de integrar a avaliação da saúde oral em pacientes que relatam dor persistente.
As implicações são claras:
Os dentistas e os médicos especialistas (neurologistas, reumatologistas, médicos de família) devem considerar a cavidade oral como um fator de risco adicional em doentes com enxaquecas e dor crónica.
Uma boa saúde oral pode tornar-se um fator de proteção contra a intensidade da dor em mulheres com fibromialgia e enxaquecas recorrentes.
Estão a surgir novas linhas de investigação sobre tratamentos dentários e modulações do microbioma oral como potenciais aliados na redução dos sintomas.

A saúde oral não afecta apenas a boca, as gengivas e os dentes: pode também influenciar a qualidade de vida das mulheres com enxaquecas e fibromialgia. Este estudo fornece provas de que a medicina dentária e a medicina da dor devem avançar em conjunto, integrando a prevenção oral no tratamento de doentes com dor crónica.
Manter uma higiene oral adequada, fazer check-ups regulares e controlar a microbiota oral pode ser uma ferramenta adicional para melhorar o bem-estar e reduzir a frequência das enxaquecas nas mulheres.

