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Peri-implantite vs. periodontite: o que partilham, como diferem e porque é que isso é importante na clínica

A peri-implantite é uma condição inflamatória que afecta a mucosa e o osso que rodeiam um implante dentário. Embora partilhe caraterísticas com a periodontite, não são exatamente iguais: partilham parte da sua microbiota, mas existem bactérias “nativas” do sulco peri-implantar que tornam o quadro clínico mais complexo.

Um microbioma com sobreposições... E diferenças relevantes

Uma revisão sistemática(12 estudos: 9 observacionais e 3 revisões) comparou as caraterísticas microbiológicas de ambas as entidades. A principal conclusão foi que existem semelhanças claras – especialmente na presença de agentes periodontopatogénicos clássicos – mas também microorganismos preferencialmente associados aos implantes. Nas palavras do próprio estudo:

Finalmente, foi referido que a peri-implantite inclui bactérias que são maioritariamente anaeróbias gram-negativas, periodontopatogénicas, oportunistas e não cultiváveis, ou seja, as suas caraterísticas microbiológicas são complexas e diferem das específicas da periodontite.

Que bactérias são mais frequentemente encontradas na doença periodontal?

Vários estudos incluídos na revisão salientaram que as bactérias periodontopatogénicas colonizam os implantes com elevada frequência, sendo que a Porphyromonas gingivalis e o complexo Prevotella intermedia – este último devido à sua afinidade com o titânio – estão entre os mais relatados.

Em 5 dos 9 estudos, foram identificados microrganismos periodontais típicos(Porphyromonas/P. gingivalis, T. forsythia, T. denticola, P. intermedia, A. actinomycetemcomitans) nas lesões de peri-implantite.

No entanto, a presença de P. gingivalis, P. intermedia e A. actinomycetemcomitans foi semelhante em ambas as condições orais.

Existem bactérias "menos comuns" na periodontite que ganham peso na peri-implantite?

A revisão recorda que as infecções à volta dos implantes podem estar relacionadas com microrganismos que não são comuns na periodontite crónica.

Para além disso, estudos anteriores apontaram para um papel proeminente das Fusobactérias, várias espiroquetas, Prevotella intermedia e Staphylococcus aureus na peri-implantite devido à sua afinidade pelo titânio. Foram também observadas associações significativas de espécies de Staphylococcus e Treponema com implantes afectados.

O conhecimento destas diferenças ajuda a ajustar o diagnóstico microbiológico e a personalizar as intervenções: desde a descontaminação da superfície do implante até à escolha de adjuvantes antimicrobianos ou ao planeamento da manutenção.

Um historial de periodontite e a proximidade de um dente ao implante podem facilitar a colonização do sulco peri-implantar por agentes patogénicos periodontais, o que sublinha a importância do rastreio de risco, do controlo do biofilme e do acompanhamento regular em pacientes com implantes.

Resumo clínico

A peri-implantite e a periodontite partilham parte do ecossistema microbiano, mas a primeira tem um perfil mais complexo, com uma maior presença de bactérias“anaeróbias gram-negativas… oportunistas e não cultiváveis“, e de agentes patogénicos de afinidade com o titânio, como a P. intermedia, bem como associações com géneros como o Staphylococcus e o Treponema. A identificação destas nuances permite tratamentos mais eficazes e protocolos de manutenção estáveis.

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